Receber o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) costuma vir acompanhado de uma prescrição automática de anticoncepcionais. A mensagem implícita é que o seu sistema reprodutor “quebrou” e precisa ser silenciado. No entanto, na visão da medicina integrativa, o ovário não é o vilão da história; ele é apenas a vítima de um metabolismo que está pedindo socorro.
A SOP é, na sua essência, um distúrbio metabólico e inflamatório. Se você trata apenas o cisto, a raiz do problema continua destruindo sua pele, seu cabelo e o seu peso.
A grande força motriz por trás de 70% a 80% dos casos de SOP é a Resistência à Insulina. Quando o seu corpo tem dificuldade em colocar a glicose para dentro das células, o pâncreas compensa bombeando cada vez mais insulina no sangue.
O problema é que o ovário feminino possui receptores de insulina. Quando banhado nesse excesso hormonal, o ovário recebe um comando errado e passa a produzir muita testosterona. É essa testosterona livre sobrando no sangue que causa o “efeito colateral” visível da SOP:
Queda de cabelo padrão masculino (alopecia).
Acne persistente, especialmente na linha da mandíbula.
Aumento de pelos grossos no rosto e abdome (hirsutismo).
Ciclos menstruais irregulares ou ausentes (anovulação).
Muitas mulheres com SOP entram em desespero com a balança e tentam resolver o problema simplesmente “comendo menos”. E é aqui que o quadro piora. Restrições calóricas extremas geram estresse metabólico, elevando o cortisol. O cortisol alto piora ainda mais a resistência à insulina. Além disso, se você come pouco, mas suas poucas calorias vêm de farinhas e açúcares, a sua insulina continuará alta. O corpo entende que está passando fome, reduz o metabolismo basal e bloqueia a queima de gordura. Na SOP, o que você come e como isso sinaliza seus hormônios é muito mais importante do que apenas fechar a boca.
Para tratar a SOP de verdade, precisamos olhar o que está acontecendo no sangue, e não apenas a imagem do ovário. Uma investigação metabólica de respeito exige:
Insulina de jejum e HOMA-IR: Para medir o grau real de resistência à insulina, antes mesmo de a glicose se alterar.
Relação Triglicerídeos/HDL: Um marcador rápido e barato para avaliar o risco cardiovascular e metabólico.
SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais): Na SOP com resistência à insulina, o SHBG costuma estar baixo. Sem ele para “segurar” os hormônios, a testosterona fica livre para causar acne e queda de cabelo.
Testosterona Livre: Para confirmar o excesso androgênico.
Silenciar os sintomas com pílula não resolve a resistência à insulina (e, em alguns casos, pode até piorá-la no longo prazo). O tratamento definitivo exige a regulação da carga glicêmica da dieta, o ganho de massa muscular (músculo é o maior “ralo” de glicose do corpo) e o uso estratégico de suplementos como o Mio-Inositol, que ajuda a restabelecer a comunicação entre a insulina e as células ovarianas.
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Dra. Letícia Taff - Especialista em Saúde e Bem-estar da mulher.